Um tópico ou artigo para discussão comporta um título e algumas opiniões fundamentadas (supostamente) nas experiências e percepções de fatos vividos e enfrentados por quem os relata. Melhor para todos se os fatos relatados forem o produto do que se sabe, menos do que se acredita.
A literatura mundial sobre Administração de Empresas está pontuada de críticas (nem sempre fundamentadas) às idéias de F.W.Taylor (1856-1915), aliás, há escolas de pensamentos criadas em oposição e a partir dos trabalhos dele.
Contudo, no Brasil, seguimos atrasados, exceções poucas, de acordo com minha modesta experiência de campo, porque não é difícil encontrarmos empresas dos mais variados portes e segmentos econômicos que vivenciam suas experiências administrativas como se estivessem em um mundo pré-Taylor, isto é, sem o conhecimento mínimo sobre Administração Científica ou de idéias derivadas das de Taylor, quase cem anos após sua morte. Tanto pior, sem o conhecimento das conseqüências advindas do caos que costuma reinar em suas Organizações, em decorrência desse desconhecimento.
Engana-se quem pensa que o problema número um de Organizações públicas e privadas no Brasil seja a falta de dinheiro, verba. Falta-nos Administração! Principalmente Administração elementar, nada sofisticada, porém eficiente e barata, que pode causar verdadeira revolução no atendimento das necessidades dos cidadãos e clientes, exemplo: quem nunca presenciou o atendimento em hospitais públicos antes do advento de uma modesta adoção de senhas para racionalizar o atendimento das pessoas que vão chegando aos hospitais em grandes quantidades e literalmente disputam o espaço e atendimento prioritários ?
Resultado: brigas, agressões físicas, mobilização de funcionários da segurança e de outros setores para conterem as divergências sobre o que pensa o Estado em relação ao ato de administrar e o que quer e necessita o cidadão, nessa matéria.
Que surpresa agradável é voltarmos a esse mesmo hospital e constatarmos que com um investimento irrisório (mas fundamental) em algumas cartolinas, pincel atômico e uma caixa de madeira para acondicionar as senhas, foi possível impor ordem no caos utilizando um rudimento de administração que faria honrar ao senhor Taylor, desconhecido ainda hoje, no Brasil, mesmo em hospitais administrados(?) por pessoas com o pomposo título de Professor Doutor.
Pensem nos ganhos econômicos e sociais que o Brasil pode auferir se os cidadãos, ao invés de ficarem cinco, seis, sete horas, em um hospital público, ficassem apenas cinquenta minutos ou noventa minutos, tudo porque faltou uma simples racionalização no atendimento ao público. Com pouco se fez muito, utilizando-se elementos de administração, nada se utilizou dos estudos sofisticados de pesquisas operacionais para construção de naves espaciais.
Também engana-se, quem pensa que essa é uma crítica ao setor público exclusivamente, o privado igualmente desconhece o senhor Taylor em grande medida, infelizmente. Pois, não há laboratórios de exames médicos privados que possuem departamentos de coordenação que coordenam o nada ?
A diferença está que o cidadão ao ser atendido em organização pública, já foi tributado direta e indiretamente; no privado, o pagamento pelo péssimo serviço ou produto é a posteriori e com direito a propaganda enganosa a priori.
Outro exemplo: em São Paulo, quanto economizaríamos nos combustíveis se os motoristas de ônibus e microônibus, quando com seus veículos estacionados nos terminais de ônibus, incluindo os terminais ligados ao metrô, desligassem seus motores ? Mesmo sabendo que só sairão em dez, quinze ou vinte minutos ? E a questão ambiental ? Quanto melhoraríamos, se com os motores desligados, não continuassem a poluir o ar (fumaça) em conjunto com a poluição sonora ? Será que os senhores motoristas pensam que seus veículos foram fabricados em 1920 e que precisam "esquentar o motor" antes da partida ? Quando estiverem passando por terminais de ônibus, observem que cerca de 80% (estou sendo otimista na estatística) dos ônibus estarão, muito provavelmente, com os motores ligados inutilmente, poluindo o ambiente e gastando o dinheiro das empresas, que vira literalmente, fumaça.
O Brasil precisa urgentemente de reformas administrativas que ultrapassem as barreiras das simples alterações dos organogramas e cronogramas ou das demissões de trabalhadores, como respostas automáticas e pouco inteligentes ao que acontece nos ambientes políticos, empresariais e econômicos. Isso, ou o mundo corporativo, e as administrações públicas, continuarão a desprezar, porque ignoram, o trabalho de verdadeiros administradores e pensadores; talvez seja por isso que esteja sucumbindo às negociatas, ineficiência, submissão aos fora-da-lei, aos gurus, espertalhões e mercadores de sonhos de toda ordem.
Isso tudo é consequência do fechamento da economia (e das mentes) brasileira por tempo demasiado, não houve intercâmbio na escala em que precisaríamos para tirar o Brasil do atraso nas idéias com os principais centros do mundo.
Estamos muito atrasados e, não me refiro à economia brasileira ou nossas empresas, apenas. O problema é de mentalidade do povo, principalmente aos que têm acesso ao sistema de educação universitária e deveriam representar a vanguarda de um novo Brasil.
Em suma, podemos arregimentar os melhores cérebros, destacar os melhores recursos, as melhores tecnologias e, mesmo assim não haverá certeza do sucesso, se continuarmos a desprezar os elementos de administração (administração basilar), não apenas no âmbito dos negócios empresariais, mas no sistema econômico.
Sei que a administração profissional no Brasil ainda é um luxo, mesmo no setor privado, quem sabe um dia teremos profissionalismo e seriedade na direção das empresas e do Estado, o País merece mais do que o amadorismo reinante.