Desperdícios, conheça e elimine-os
Atualmente, nos sitemas de produção de qualquer empresa o que se busca é o aumento cada vez maior da produtividade, fazer mais com menos. A incorporação de novas tecnologias e de modernos equipamentos, que prometem ser mais rápidos e aumentar o volume de produção, parece ser a solução para todos os problemas. Porém, muitas empresas esquecem do básico, que é atacar os desperdícios. Estes vilões estão presentes em todos os processos, alguns são evidentes outros nem tanto, existindo até mesmo aqueles que se escondem por baixo de nossos paradigmas, de crenças e costumes herdados de outras épocas.
Antes de investir em tecnologia a empresa deveria gastar um pouco de tempo na busca para reconhecer seus desperdícios e tentar eliminá-los. Esta pratica é um dos pontos primordiais da filosofia do Just In Time (JIT), um modo de ver a função de produção a partir da eliminação de tudo aquilo que não agregue valor ou que traga custos indiretos ao processo de fabricação.
Uma forma simples de definirmos desperdício é tudo aquilo que o cliente não está disposto a pagar quando compra nosso produto ou serviço. Segunto o JIT o desperdício não significa somente perda de tempo, mas também de dinheiro, por meio de sobrecarga dos recursos, que poderiam ser utilizados em outras funções, pelas ineficiências que ficam escondidas quando não temos a noção dos tipos de desperdício. A seguir vamos ver alguns casos de desperdícios mais comuns:
Supervisionar o trabalho de uma máquina - em várias situações as empresas empregam máquinas para a realização do trabalho. Estas têm uma grande autonomia, necessitando de algumas intervenções esporádicas por parte do operador. Assim, para que a máquina não pare colocam um operador na frente dela que fica a maior parte do tempo somente olhando sem realizar nenhum trabalho útil.
Esperas - nos sistemas de produção criou-se o paradigma de se trrabalhar por lotes. Neste caso, frequentemente o operador de um posto espera completar o lote do posto anterior para então começar a trabalhar. Ou então fica de braços cruzados esperando a chegada de um material ou o reparo de um equipamento.
Retrabalho de produtos com defeitos - quando um produto apresenta defeito dentro do sistema produtivo, geralmente ele é retrabalhado para que volte à condição inicial. Esta operação gera perdas com produto que apresentou defeito e deixou de ser produzido, e também porque quando o mesmo retornar ao fluxo normal do processo ocupará o lugar de um novo produto bom que deveria ser produzido.
Máquinas defeituosas - nenhuma máquina consegue trabalhar sem parar, até a mesmo mais perfeita, que é o corpo humano, necessita de paradas para manutenção (banhos, dormir, comer, distração, etc.) para que possa operar em um ritmo normal. É comum nas empresas se negligenciar a manutenção preventiva sob a desculpa da necessiadde de produção. Porém quando a máquina apresenta defeito por falta de prevenção, o custo e o tempo de parada são maiores do que as economias que foram feitas por não deixá-la parar para manutenção.
Procurar ferramentas - em muitas operações existe a necessidade da utilização de ferramentas e dispositivos para auxiliarna execução das mesmas. O que acontece é que não existe um local determinado para o seu armazenamento nem uma identificação. Assim quando há necessidade de uso ocorrem perdas devido ao tempo desperdiçado na "caça às ferramentas".
Produzir mais do que o necessário - é a fabricação de produtos em quantidade maiores que a demanda solicitada. Este tipo de desperdício é um dos piores, pois gera outro desperdício que é o inventário. Na produção em lotes as empresas produzem em quandes quantidades e até mais do que o necessário para não perder tempo na preparação das máquinas, para melhor aproveitamento da matéria-prima que está disponível ou até mesmo para criar pulmões caso algo dê errado no futuro. Esta prática gera custo de posse do inventário, obsolescência de produtos e também leva a entregar fora do prazo as quantidades e os modelos que os clientes realmente necessitam.
Inventário - o inventário também é um desperdício, seja sob a forma de matéria-prima quanto de produtos acabados. As empresas mantêm níveis altos de inventários com a finalidade de prever proteção quanto a problemas futuros, tais como atraso de fornecimento, quebra de máquinas, variação da demanda, prazos de entregas e outros. Desta forma, quanto mais problemas a empresa tiver mais inventário ela vai gerar para se proteger dos mesmos, levando-a a adotar níveis cada vez maiores de inventário sem, entretanto, atacar as causas dos problemas. O inventário passa então a ser a solução para todos os problemas, porém com um custo muito elevado.
Como vemos, o desperdício está mais presente em nosso dia-a-dia do que gostaríamos. A nossa função é conhecê-los e combatê-los, principalmente por meio da conscientização e da busca da eficiência em todas as atividades, além de eliminar aquelas que não agregam valor aos produtos.